terça-feira, 27 de dezembro de 2011

“um dia pra destilar o tempo. porque o tempo também destila os corpos” (trabalhador do mar)

O circo está morrendo! Ora, mas se o espetáculo não pode parar, como sempre ouvimos, o que se há de fazer? Onde estão as crianças que esperam o circo chegar ano após ano? Que tentam fugir com ele quando se vai? O circo morreu!!!?
O que eles querem é que assim tu penses.

Nas mais subterrâneas entranhas habitam as microrevoluções. Nos corpos, nos entres dos enquantos, nas ruas de rios e sons de mata fechada. Fechava, pra abrir-se em vísceras as potências de vida. Criatividade, afetividades, sexualidade, vitalidade e transcendência. Em cada átomo de existência, pulsam as vibrações vitais, a cada limite superado, medo enfrentado, a cada dor calmamente acolhida e vivenciada até que cesse...
 
A arte está nas vísceras, não nos genes. Há que se descobri-la, libertá-la. Sobra de vida no circo o que falta de valorização. Sobra de multiplicidade, o que falta de multiplicadores. É compreensível, afinal, o circo não se institucionalizou. Ora, mas se me dirás que ministérios e fundações são formas sorrateiras de aprisionamento institucional, o que posso te dizer, se não da inventividade das artes, em fazerem-se contra-molas de resistência do centro da própria engrenagem. Arte como direito é conquista, e não engane-se pelo contrário. O que eles querem, é que assim tu penses. 
 
Nas reinvenções e revoluções nos corpos, dançam os modos de re-existência. Desafiando a matéria, as leis, a gravidade, a ciência, o sistema, e tudo o mais que for aprisionante, até a dor, os artistas ousam ir até onde está o que há de mais perigoso: as liberdades. Militantes, genuinamente libertários.
 
Escolheu viver de arte, que tal?
Escolheu viver de liberdades e libertações. De inventar magias, espalhar sentires, e guardar encantos, sem amarras, pra lá de onde os olhos fecham.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Clichês de Amor

Todas as mulheres inteligentes foram queimadas vivas na santa inquisição... todos os gênios do sexo masculino foram guilhotinados pela igreja na idade média. Só sobraram os burros... talvez um ou outro culto tenha restado... mas, eles foram obrigados a se esconder para não morrerem também.

Quem sobrou da nossa humilde espécie, deram a nós, continuidade até hoje. Em um mundo onde o sexo masculino e o feminino jamais entrariam em harmonia, pois o masculino estava no poder e estava feliz com isso... muitas coisas foram destruídas.
Mas, a primeira delas, foi, sem dúvidas, o amor.
Ele foi simplesmente estraçalhado, cortado, repicado, para poder caber nas normas religiosas e sociais. As partes inúteis do amor foram todas tiradas. Depois de anos de evolução, adivinha só...

Muitas coisas foram reconstruídas! As igrejas da idade média, lindas, como acervo histórico, os objetos de tortura que foram usados nos gênios, as guilhotinas, as vestimentas, os acervos de guerra... tudo para formar maravilhosos museus que nos trazem saudades da antiguidade, mas, ninguém... eu disse NINGUÉM até agora teve sequer vontade de reconstruir o amor!
Não que eu seja contra qualquer reconstituição de fatos históricos... pelo contrário... acho importantíssimo! Mas, a história é ciência... e o amor? Onde ele... aleijado, cortado, torto... pode se encaixar nesta história toda?
As pessoas nos inventaram frases feitas sobre o amor, para que quando as disséssemos, não precisássemos refletir, assim, não teríamos sequer que pensar no amor. Como um significado no dicionário... porém, deturpado.

Mas, se formos algum dia, reinventar o amor, tornando a transformá-lo em um sentimento... teremos que nos livrar imediatamente de alguns clichês.
“Nada melhor para superar um amor, que outro amor”... primeiro, não se supera um amor! Se você realmente ama alguém, não pede nada em troca... Vamos então, se vai dizer algo como isto, coloque apenas a sua cara a tapa, não a do amor! Isso é o que você, de forma ignorante e egoísta, com medo de sofrer resolveu dizer... e não tem nada haver com o amor! Então, vamos refazer o clichê:
“Nada melhor para esquecer aquele palhaço que não satisfez meu egoísmo, do que qualquer outra pessoa... contanto que essa o faça!”

Agora sim! Não é são transformar uma palavra como o amor em algo que deve ser superado e eliminado.

“Ele não me merece!”. Eu rio quando ouço esta! Pois tenho a perfeita tradução: “Sou um bibelô na prateleira, e ele não pôde me adquirir”.
A pessoa que diz essa frase... especialmente se for mulher, está se colocando na condição de objeto... ele não me merece, portanto, não pode usufruir do conforto que eu proporcionaria.
“Tal pessoa não é para mim.”, seria perfeitamente traduzida em “Quem precisa do amor de tal pessoa, se eu tenho o meu próprio”. E por aí vai...
“Senti uma química entre nós” = “Acho que a sociedade deixaria nós dois relacionarmo-nos”
“Você é perfeito para mim”=”Você é burro o bastante para suportar um relacionamento sem quaisquer cisco de amor, quem dirá de perdição”
“Custe o que custar, eu vou te esquecer” = “Renego o amor incondicional até a morte!”
“Você é tudo o que eu sonhei para mim”= “Você corresponde exatamente às características estereotipada que a sociedade me convenceu a gostar... posso exibi-lo (a) para os meu amigos (as)?”
“Eu gosto de você”=”Não vou muito com a sua cara, mas... fica na reserva!”
“Eu adoro você”=”Eu gosto muito de você, mas, se disser que te amo, você vai me interpretar mal”
“Eu amo você”= “Finalmente! Encontrei alguém não fumante, virgem, não-crítico, da mesma religião que eu, mesmo nível social, e com uma beleza que nenhum dos meus amigos vai botar defeito, e uma educação que a minha mãe vai adorar! Você é perfeito para mim, de acordo com o que a sociedade quis que eu acreditasse... agora... vejamos se você é burro o bastante para acreditar que eu me preocupo com você... se for burro... meu deus, você é perfeito! Quer se mudar lá para casa?”
“Eu já te superei”= “O único que importa nessa história sou EU!”

Exagero? Mas, é claro que não! É assim que a humanidade age. É nesta coisa imunda... nessas negociações obscenas que o nosso puro amor foi transformado!
E esses clichês são apenas uma amostra do que os relacionamentos que a humanidade inventou fizeram com o amor... existem coisas piores! Ninguém mais sente o amor! As pessoas só falam dele... e falar dele, só o vulgariza mais.
“Você me traiu, não te perdoarei!” = “O que? Você não me pertence? Como ousa? Bom... já que nunca te amei mesmo, a única coisa que terei que superar, é p fato de estar acostumada com você!”
“Quero um tempo para pensar...” = “Estou acostumado com você! A sociedade está satisfeita com nosso relacionamento! Mas, eu não te amo nem nunca amei! Dá pra eu ficar pelo menos um pouquinho longe de você para eu sentir saudades do nosso amor de costume, e conseguir suportar a nossa relação?”

Claro, eu não sou a dona da verdade. Existem milhares de outros significados que podem ser atribuídos a estas frases... mas, nenhum deles dirá do amor verdadeiro. Acho verdadeiramente, que se as pessoas vão desestruturar o amor dessa forma dizendo essas coisas “muy românticas” sobre ele... então... deveriam todas ficarem quietas!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

da lei natural dos encontros...

E do cuidado fez-se encontro.
Do abraço, um lugar pra se ser.

Reconhecer-se sem palavras explica aos sentidos o que eles escorrem, e a razão não dá conta.
Não há lugar de se ser, lá.
Logo nessas an.danças onde as palavras bailam os afetos, e recriam-se em caminhos dos mais belos de que se teve notícia. Delas nem se tem mais precisão.
Os olhares se bastam. das horas que se foram, é o que fica.
Da busca que não termina, faz-se o que se planta para o porvir.

Quando o mundo se vira. A roda gira. A maré segue.
Desse mundo-quase todo, dos quilômetros que separam faz-se um céu que une.
Do abraço o lugar pra se ser. E pra onde fugir agora, o pensamento."

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Libação



É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores

As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas

É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza

É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio

Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro

Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha

Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.

A vida não tem ensaio
mas tem novas chances

Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!

Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores

Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!

Por Elisa Lucinda

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Sagrada TPM

O Bem-estar do ser humano é influenciado pela qualidade do ar que ele respira, da água que ele toma, dos alimentos que ele ingere, dos seus hábitos de vida. A interação entre mente e corpo está em consonância com o poder curativo, a saúde é vista como um estado de equilíbrio. Ao contrário da obscessão pelo conhecimento racional, pela objetividade, pela quantificação exata que influencia a Medicina Moderna a tratar dos problemas de saúde de forma fragmentada, como se não houvesse inter-relação entre o meio ambiente ecológico-social e o indivíduo.

O despertar de consciência do ser humano será atingido quando ele perceber sua própria responsabilidade sobre seu estado de saúde ou doença, atitudes e comportamentos de prevenção.
A cura do corpo deve ser tratada de forma harmoniosa através de terapias alternativas. Pois, viver com bem-estar vai muito mais além que a saúde ao corpo físico, é também buscar paz de espírito, equilíbrio emocional e tranquilidade mental!


“Atenção, pois a panela de pressão que existe dentro dela começou a apitar” É assim que a Revista dos Vegetarianos do mês de junho inicia sua matéria de capa. E a causa é justa. Para falar sobre TPM, o síndrome que atormenta 35% das mulheres urbanas, a matéria apresenta as causas, explica o funcionamento do corpo feminino e ainda oferece dicas de bem-estar e vida saudável para a prática do autoconhecimento e o autocontrole, princípios fundamentais nesse período mensal.

Para quem não sabe, a principal responsável pela TPM é uma substância chamada serotonina, produzida pelo sistema nervoso que afeta o humor e o apetite. O que acontece durante essas duas semanas de “caos” é uma diminuição nos níveis de produção desta, causada pelo hormônio progesterona, que age a partir do 14º dia da menstruação, ou seja, após o período fértil. Porém, como explica a Dra Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas em São Paulo, a mulher sofre uma concentração de hormônios sexuais durante o mês inteiro: Nos primeiros 14 dias, quem trabalha é o estrogênio, hormônio produzido no final da menstruação, responsável por aumentar o nível de serotonina no cérebro.“É por isso que o humor feminino oscila de um dia para o outro”.

Sendo assim, o mais importante é que as mulheres aprendam a lidar com os sintomas da tensão pré-menstrual. Escolhas alimentares certas, exercícios físicos adequados como yoga; a automassagem, a reflexologia, o alinhamento dos canais energéticos do corpo (chakras), os florais e a aromaterapia são dicas que funcionam muito bem para o corpo, mente e espírito.


O Sagrado Feminino

A menstruação é também chamada de “período da Lua”. A sílaba-raíz mens, mensis está ligada à contagem do tempo, ou seja “mudança da lua”. Nossos ancestrais encaravam-na como algo sagrado, como um dom dado às mulheres para que pudessem criar e perpetuar a vida. Celtas, Egípcios, Tântricos, entre outros povos associavam a fase da TPM com a passagem da Lua Cheia. Se a mulher vivia em constante harmonia com a Terra, o sangramento duraria os três dias da Lua Escura e o ciclo recomeçava no início da Lua Nova. A sincronicidade do ciclo lunar e menstrual refletia o vínculo entre a mulher e a divindade e por isso os homens as reverenciavam.

Pondo em vista a mulher moderna, a TPM também é uma conseqüência do distanciamento dessa essência feminina, da mulher centrada, cuidadora, provedora, doadora, contemplativa e incondicionalmente amorosa.

Marilia Ortiz estuda a Ecologia Feminina e nos conta que os milênios de supremacia e domínio patriarcal provocou um distanciamento da polaridade feminina com a natureza. A mulher foi despojada de seu poder inato e de seu valor de co criadora e nutridora da própria vida. A TPM, cólicas, ciclos desordenados entre outros efeitos colaterais são os resultados da perda do contato harmônico com o seu corpo e com a energia da Lua e da Terra.

Por isso, conhecer todas as fases do ciclo menstrual e as emoções são atitudes essenciais na busca pelo equilíbrio e tranqüilidade. A prática de yoga, por exemplo, harmoniza os hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas, equilibrando a estimulação ou a inibição da produção hormonal. Ligadas aos chakras, os canais de energia potencializam a boa respiração, a autoconsciência, o equilíbrio e a calma.


Na edição Número 52, Ano 2003 da revista Bons Fluídos, as dicas garantem os cuidados com o corpo, orientados pela medicina chinesa:


Reflexologia

Nos pés, temos os pontos que correspondem a todos os órgãos da coluna. Essa é a base da reflexologia, que por meio de toques restabelece o equilíbrio energético do corpo e estimula o funcionamento do metabolismo. “No caso da TPM, a reflexologia age sobre os simtomas físicos e emocionais”, observa o reflexologista Jorge Matsuyama, professor do Senac de Porto Alegre.
Ele indica uma versão da automassagem para fazer em casa: coloque uma bolinha de tênis no chão e pise descalço, colocando todo o peso do corpo sobre ela. Faça movimentos circulares, massageando toda a tensão da sola por cinco minutos, inclusive dedos e calcanhar. Insista nas regiões doloridas. Começe com o pé esquerdo e faça uma pausa, sentindo os dois pés no chão antes de trocar a bolinha para o pé direito.

Florais
Os florais ajudam a aliviar os descontroles e o cansaço típico da TPM. Você pode unir até cinco essências na mesma fórmula, feita em farmácias homeopáticas. Segue algumas indicações:

Mustard – Para aliviar inchaço e depressão sem causa definida
Beech – Quando estiver muito irritada, agressiva ou intolerante
Hornbeam – Se a TPM está associada ao estress mental, traz clareza aos pensamentos
Olive – Alivia sintomas de cansaço, desânimo e estress profundos
Cherry plum – Ameniza a irritação e o descontrole emocional
Gentian – Estimula a autoconfiança
Rescue – Reúne cinco flores, ótimo para combater todos os sintomas da TPM.
Larch – Para insegurança e irritação
Scleranthus – Alivia basicamente a irritação e o descontrole emocional
Crab Apple – Favorece a eliminação de líquidos e alivia o inchaço
Impatiens – Combate a impaciência e a ansiedade exagerada (embora o Rescue já contenha Impatiens, esse floral pode ser usado separadamente para reforçar o efeito).

Aromaterapia

Sentir o aroma dos óleos essenciais ou massagear o corpo com eles é uma das maneiras mais simples e gostosas de diminuir os desconfortos da TPM e ainda ficar com o corpo perfumado e macio.
Os óleos podem ser usados na banheiroa (quatro ou cinco gotas), no chuveiro (uma gota na esponja com sabonete líquido), na massagem (uma ou duas gotas em 14 ml de óleo de semente de uva) ou no travesseiro (1 gota na lateral do travesseiro não muito próximo ao nariz). Use as essências uma vez por dia, na semana anterior à menstruação.

A psicóloga e terapeuta floral Sandra Spiri, presidente da Associação Brasileira de Aromaterapia, indica alguns óleos essenciais para essa fase. Misture no máximo dois aromas e prefira os produtos naturais (os sintéticos não tem efeito terapêutico):

Sálvia: restabelece o equilíbrio mental
Pau-rosa: previne e alivia dor de cabeça e irritação
Alecrim e gerânio: combinados, diminuem o inchaço
Bergamota: reduz a depressão e aumenta a auto estima
Camomila e lavanda: trazem calma e clareza
Rosa: relaxa e é analgésico

Paz e Bem
Ana

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Carne de Vitela

Aos ávidos carnívoros aí vai uma boa receita de carne de vitela:

Ingredientes:
1 bezerro macho recém-nascido

Modo de preparo:
Separe o bezerro de sua mãe logo ao nascer. Confine o filhote em um estábulo minúsculo para que ele não possa se movimentar, assim a carne permanecerá branca e macia.

Forneça-lhe uma alimentação pastosa e calórica, com uma quantidade mínima de ferro, para que ele não morra até o abate, mas se torne anêmico.

Atenção: mantenha-o longe de objetos de metal ferruginoso, pois com a falta de ferro ele pode tentar comê-los ou ainda comer as próprias fezes em busca de resíduos do mineral.

Não dê água ao bezerro, a alimentação deve ser líquida ou pastosa, para que ele coma até mesmo quando tem apenas sede e, assim, engorde mais rapidamente.

Para evitar que o animal entre em desespero e agitação, mantenha-o no escuro durante 22 horas por dia, acendendo a luz apenas durante a manutenção do estábulo.

Após 4 meses o bezerro estará pronto para o abate.


Tem certeza que deseja saborear este prato?!

O filósofo Carlos Naconecy lembra um conceito importante: a “necessidade” tem prioridade sobre a “preferência”. Ou seja, um animal tem a “necessidade” de continuar vivo, mover-se, evitar o sofrimento, ter contato social etc. O homem tem a “necessidade” de alimentar-se, mas a dieta escolhida é uma questão de “preferência” individual. Portanto, o direito de satisfazer uma “preferência” do paladar é mais fraco que o direito à vida e ao não sofrimento.

Somos onívoros e isso pressupõe a liberdade de escolha do que iremos comer. Podemos usar nossa inteligência e capacidade de amar para controlar nossos impulsos egoístas e cruéis, deixando o selvagerismo definitivamente para trás.
Pense bem antes de consumir carne!!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Meditação

A palavra meditação vem do latim, meditare, que significa voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si.
A meditação encontra-se no meio de dois pólos: a concentração e a contemplação. É associada a religiões orientais. Há dados históricos comprovando que ela é tão antiga quanto a humanidade. Não sendo exatamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes.
Apesar da associação entre as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade e essa prática, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.
É fácil se observar que nossas mentes encontram-se continuamente pensando no passado (memórias) e no futuro (expectativas). Com a devida atenção, é possível diminuir a velocidade dos pensamentos, para se observar um silêncio mental em que o momento presente é vivenciado. Através da meditação, é possível separar os pensamentos da parte de nossa consciência que realiza a percepção.
É possível obter total descanso numa posição sentada e por conseguinte atingir maior profundidade na meditação assim dissolver preocupações e problemas que bloqueiam sua mente.

Prática:
Fique na posição lótus completo (na foto ao lado), o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Ou pode se sentar em meio lótus, só o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita ou vice-versa.
Mantenha os olhos semi-abertos, focalizados a uns dois metros à sua frente. Comece a seguir sua respiração e a relaxar todos os músculos. Concentre-se em manter sua coluna ereta e em seguir sua respiração. Solte-se quanto a tudo mais. Abandone-se inteiramente. Se quiser relaxar os músculos de seu rosto, contraídos pelas preocupações, medo e tristeza, deixe um leve sorriso aflorar em sua face. Quando o leve sorriso surge, todos os músculos faciais começam a relaxar. Quanto mais tempo o leve sorriso for mantido, melhor.
Você tem que ser capaz de obter descanso total. A técnica para tal obtenção reside em duas coisas: observar e soltar, observar a respiração e soltar tudo mais. Solte cada músculo de seu corpo. Após uns quinze minutos, uma serenidade profunda poderá ser alcançada, enchendo-o interiormente de paz e contentamento. Mantenha-se nessa quietude.Esta prática é dos melhores remédios para aliviar o stress.

Objetivos:
Os objetivos podem variar, assim como as técnicas de execução. Ela pode servir simplesmente como um meio de relaxamento da rotina diária, como uma técnica para cultivar a disciplina mental. Muitos praticantes da meditação têm relatado melhora na concentração, consciência, auto-disciplina e equanimidade.

Chakras:
A palavra “chakra” vem do Sânscrito e significa “roda de luz”, "roda da lei", "roda da vida" ou "morte". Chakras são pontos de energia de diferentes vibrações, representando diferentes aspectos do corpo, da alma e do espírito. Simbolizam a lei da natureza, estando em constante movimento. Eles estão localizados ao longo da coluna vertebral do corpo humano. Os chakras também são considerados como canais de entrada para uma espiritualidade mais elevada. Alguns clarividentes conseguem enxergar cada um desses pontos, com sua forma e cor específica.
Os chakras harmonizados nada mais são do que o equilíbrio entre as polaridades Yin (feminino, frio e úmido) e Yang (masculino, quente e seco). O esquema dos sete chakras é o mais usado nas terapias alternativas. Entretanto, existem inúmeros outros chakras menores, atuando num esquema dinâmico de intercâmbio energético.
Sua função é de receber e transmitir energia para as áreas afetadas do corpo físico, trazendo o equilíbrio. Trabalhando com os chakras, é possível unir todos os aspectos de nossas vidas, incluindo os aspectos físicos, materias, espirituais, sexuais e etc.

Os chakras são divididos da seguinte maneira:

-> Os três chakras localizados na cabeça e na região da garganta, são governados pela razão.

-> Os chakras que estão localizados na frente do corpo, são governados pela emoção.

-> Os chakras que estão localizados na parte de trás do corpo, são governados pelo desejo.

Cada chakra está associado com uma das sete cores do arco-íris.
Veja abaixo os sete principais chakras e algumas de suas características:

Primeiro CHAKRA
· vermelho
· está localizado entre a terceira e a quarta vértebras coccígeas (energia da vida)
· Atuação física: canais da bexiga e do intestino, função reprodutiva, circulatória e nervosa
· principal função: energia sexual
· governa: dimensão física
· efeito de energia bloqueada: autovergonha, falta de auto-compreensão
· a energia harmonizada proporciona: trabalho ético e a supressão dos desejos mundanos.

Segundo CHAKRA
· laranja
· está localizado entre a quarta e quinta vértebras sacrais, raiz dos órgãos genitais
· Atuação física: na digestão, reprodução e sistema hormonal, secreção biliar
· principal função: paladar
· governa: atitudes nos relacionamentos, sexo e reprodução
· efeito de energia bloqueada: pecado, culpa, raiva
· a energia harmonizada proporciona: estruturação e manutenção da saúde e movimentos rápidos.

Terceiro CHAKRA
· amarelo
· Está localizado na quarta vértebra lombar, no umbigo
· Atuação física: visão, músculos oculares
· principal função: visão física e mental, percepção de sensações
· governa: poder pessoal
· efeito de energia bloqueada: ego exaltado, medo, manipulação
· a energia harmonizada proporciona: manutenção do sistema neurovegetativo e confiança.

Quarto CHAKRA
· verde
· Está localizado sobre o coração, na sexta vértebra dorsal.
· Atuação física: circulação, sistema imunológico e endócrino
· principal função: identificação e distinção das emoções alheias, linguagem e percepção de vibrações.
· governa: doação e receptividade das situações
· efeito de energia bloqueada: insegurança, rancor
· a energia harmonizada proporciona: discernimento, autocontrole e levitação.

Quinto CHAKRA
· azul
· Está localizado entre a quarta e quinta vértebras cervicais.
· Atuação física: audição, respiração, voz e movimento da língua, produção de saliva e funções bronquiais
· principal função: audição psíquica
· governa: a comunicação e o julgamento
· efeito de energia bloqueada: ressentimentos, amargura, medo da rejeição
· a energia harmonizada proporciona: conhecimento intelectual e facilidade em aprender línguas, telepatia e leitura de pensamentos.

Sexto CHAKRA
· cor: azul celeste
· Está localizado no intercílio
· atuação física: intuição, visão de pessoas distantes
· principal função: visão com antecipação das situações
· governa: imaginação, observação e percepção
· efeito de energia bloqueada: ansiedade e preocupação
· energia harmonizada proporciona: autodomínio sobre a mente, levitação, predição.

Sétimo CHAKRA
· cor: violeta ou branco cristalino
· Está localizado na glândula pineal, no cérebro.
· atuação física: consciência cósmica, domínio completo da vida nos planos físico e astral.
· principal função: trabalha o Eu espiritual e tem domínio sobre todos os demais veículos do Homem
· governa: compreensão e liberdade
· efeito de energia bloqueada: ódio, possessividade e depressão
· a energia harmonizada proporciona: equilíbrio em todos os chakras.

Por meio da meditação podemos desenvolver as energias dos chakras de modo suave sempre começando pelo primeiro chakra.

O site Somos Todos Um ajuda na concentração, você pode escolher o plano de fundo, som e tempo para meditar Online. Experimente!
Luzes Infinitas a tod@s

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Yoga: Prática do Aqui e Agora

Quando se fala em Yoga, a maior parte das pessoas logo pensa no ásana, visualizando alguém em uma postura física. Contudo ele é apenas uma mínima parte do riquíssimo sistema filosófico que é o Yoga. O ásana faz parte do imenso arsenal de “ferramentas” apresentadas pelo Yoga para nos conduzir ao caminho da auto-realização e libertação espiritual.
Dentro desse sistema, os ásanas têm entre seus objetivos melhorar a saúde como um todo, através da purificação dos canais e condutos do nosso organismo, desde os mais densos até os mais sutis, os que carregam substância material e os que transportam bio-energia. Eles equilibram todos os sistemas do corpo, auxiliam na eliminação de toxinas, mantendo o organismo saudável e com vitalidade. Além disso, desenvolvem alongamento, flexibilidade, resistência e a consciência corporal e fazem uma integração entre o corpo e mente do praticante, diminuindo, dessa forma, o efeito do estresse e o aparecimento de doenças, desequilíbrios e distúrbios, sejam no nível físico, mental ou emocional.

Tudo isso para que possamos nos ver livres das aflições do corpo e da mente, que criam ansiedade, raiva, preguiça, tristeza. E assim, buscar a felicidade e a harmonia de uma vida com uma boa saúde e emoções estáveis. O bem estar proporcionado pela prática de ásanas tranqüiliza a mente e, conjuntamente com as demais práticas do Yoga, aos poucos diminui os sentimentos negativos e improdutivos, levando-nos a um estado de clareza mental e tranqüilidade para a busca da meta última da vida segundo essa filosofia: evolução espiritual.

Mas a prática isolada de ásanas não é uma garantia dos benefícios citados acima (e de muitos outros), muito embora já estejamos no caminho ao praticá-los. Apesar dos ásanas do Yoga envolverem movimentação física, não são uma modalidade esportiva ou uma ginástica, apesar de alguns benefícios físicos em comum com essas atividades. E a diferença está na pratica conjunta das demais “partes” do yoga, e também na filosofia por trás da prática, que levam o praticante a uma transformação profunda, inicialmente no aspecto físico indo gradualmente ao espiritual. Por isso, um ponto é muito importante na prática dos ásanas: o estar presente no Aqui e Agora, mantendo a atenção não apenas na execução física primorosa da posição, mas também nos sentimentos, sensações, percepções e estados mentais e emocionais que o ásana cria em nós. A perfeição na prática do ásana é antes um estado mental de presença, uma atitude de completude, tão ou mais importante até que a atitude corporal.
Segundo David Frawley, conceituado estudioso de Yoga e Medicina Ayurvédica:
“Ásana não é apenas estrutura e energia, mas também um reflexo de pensamento e intenção. Nós poderíamos chamar ásana como uma forma pensativa e mentalizadora de exercício. Os efeitos do mesmo ásana irão depender da nossa mente estar clara ou nublada, e nossas emoções estarem calmas ou turbulentas. Nós podemos fazer um ásana com precisão técnica, mas nosso estado mental é que realmente determinará o quão libertador o ásana é para nossa consciência.”

Ainda segundo esse autor, se nossa consciência não estiver envolvida durante o ásana, então nossa prática permanecerá em um nível superficial. Por isso, além de prestarmos atenção na estrutura da postura, devemos estar atentos ao que se passa em nosso mundo interno, devemos permanecer atentos ao nosso estado mental. Geralmente nossa mente está sempre vagando entre os acontecimentos, arrependimentos e nostalgias do passado e os planejamentos, temores e esperanças do futuro; o presente fica tristemente perdido entre esses dois pólos. Estar presente no aqui e no agora faz com que tenhamos mais clareza e discernimento em nossas atitudes. Isso funciona também na prática do ásana. Aliás, ela pode e deve ser utilizada para aprendermos a desenvolver esse “estado de presença”.

Nosso corpo físico é um veículo e um reflexo de nosso mundo interno. Na prática do ásana, o corpo é colocado em uma determinada posição, estruturada para trabalhar determinados aspectos, físicos e/ou mentais do praticante. Ao nos mantermos atentos e presentes em nossa prática, somos capazes de identificar o que se passa em nosso mundo interno. Passamos a ser um observador de nossas reações à postura física: nossas preferências, aversões, qual postura gostamos mais, de quais não gostamos, o que sentimos ao conseguir fazer a posição, o que sentimos quando não conseguimos, como estamos respirando, etc.
Segundo TKV Desikachar, em seu livro “ O Coração do Yoga”: “Yoga também significa agir de maneira que toda a nossa atenção esteja dirigida à atividade que estamos desenvolvendo no momento.”
No caso da prática dos ásanas, através dessa atenção e observação, uma série de informações a nosso respeito começam a surgir e podemos compará-las com as atitudes que temos no dia a dia, em outras situações, sejam no âmbito familiar ou no trabalho, no lazer, etc.
Buscando essa atitude, a prática de ásanas pode se transformar em um momento de reflexão e análise a respeito de nossas tendências e propiciar insights sobre como reagimos aos acontecimentos da vida; é um momento de svadhyaya, palavra em sânscrito que nesse contexto pode ser traduzida como auto-estudo, auto-observação. Ainda por Desikachar:
“ Yoga é uma prática de observação de si mesmo, sem julgamento.(…) É algo que experimentamos profunda e intimamente dentro de nós. Yoga não é um experiência externa. Em Yoga, tenta-se em todas as ações ser o mais atento possível em tudo o que se faz.(…) No Yoga não estamos criando algo para os outros assistirem. Quando fazemos vários ásanas, observamos o que estamos fazendo e como estamos fazendo. Fazemos apenas para nós mesmos. O praticante é o obsevador e o objeto de observação ao mesmo tempo. Se não prestarmos atenção em nós mesmos na nossa prática, não podemos chamá-la de Yoga.”
Esse auto-estudo e observação é o caminho tão desejado para o auto-conhecimento, que pode ser alcançado com o estar presente e atento ao Aqui e Agora, não apenas nas posturas do corpo, mas em todas as nossas atitudes. A prática dos ásanas pode ser um bom momento para começar, pois é dando os primeiros passos que se começa uma caminhada.
Paz profunda, equilíbrio e boa prática!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Estética Social


Passeando por blogs que dialogam sobre comportamentos estéticos, me veio o interesse de tentar responder perguntas para as quais, muitas vezes, não temos resposta.Um ambiente que nos remete a sensações agradáveis é sempre um bom ambiente. É, de fato, a primeira coisa que buscamos quando vamos conhecer um lugar novo. Não há dúvidas de que quanto maior for o envolvimento de nosso conforto externo, cada vez mais perto estaremos da sensação de receptividade, e mais abertos, portanto, a manifestar nossas emoções. Certo? O que acontece é que, dentro das possibilidades de fornecer conforto inclui-se a seguinte questão: o que é confortável pra você?

Essa é uma pergunta que, geralmente, nossos pais e avós fazem a si mesmos, para entender o que essa tal de modernidade veio fazer por aqui. E eis a questão, alguém consegue me explicar qual o prazer em perfurar o corpo e suspendê-lo a metros de altura? Imaginem que nós, jovens adultos, também nos questionaremos com o aparecimento de novas tecnologias, e junto a elas, com as diversas tribos que as identificam; haja vista a era das vestimentas, piercings, tatuagens – que fazem parte de nossa geração – e agora a era digital, que não só nos deixa a par, como enfatiza que somos aquilo que possuímos. Mas, não combinaria melhor se possuíssemos algo por aquilo que somos? Não culpo o meio, ele é tão válido que me permite compartilhar essa observação. No entanto, quão isso é difícil nos tempos modernos?

Em ordem de importância, primeiro vem a classe social. Nosso consumo sempre é mediado pela quantidade de cifrões que temos na conta – na verdade, bom seria se não existissem os cartões de crédito. Nossa vontade não, sempre vai além – por isso queremos trabalhar mais, para ganhar mais, para comprar mais. Passando por esse filtro, a escolha parte para a estética, e depois para a funcionalidade do produto. Há quem questione essa relação, e realmente, esse é um dos problemas insustentáveis que ajudam a compor o iceberg das questões emergentes do planeta, então…

Voltando a questão que me inspirou a escrever esse post, aquilo que definimos como gosto, pode ser muito mais significativo do que uma simples atração por determinado objeto de estilo, já percebeu?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Se Não Fizerem a Coisa Certa...Ela Vai Deixar De Ser Nossa!

 Amazônia: Quem disse que é nossa?

A Amazônia não é uma prioridade real para os brasileiros, mas é uma prioridade mundial. Vem da Amazônia a má notícia de que o desmatamento cresceu além das previsões. Mas o que se chamava de boa notícia, em anos anteriores, afinal não era nada de tão bom assim: registrou-se, apenas, que o ritmo da devastação estava caindo e não que a tivessem interrompido, por um dia só que fosse. Vou perdendo a paciência com essas estatísticas e gostaria de fazer uma observação simples e radical.
Sempre que alguém fala em "internacionalizar a Amazônia", surge um grito de guerra: "A Amazônia é nossa!".
Mas como assim, "é nossa?". A Amazônia, no momento, é dos que a invadem e devastam. Sejam madeireiros, plantadores de soja, pecuaristas, mineradoras ou fabricantes de ferro-gusa que, segundo documento divulgado pela Confederação Nacional da Agricultura, precisam de mais florestas para fazer carvão do que os bois precisam de pastagens.
A Amazônia seria "nossa" se o poder público tivesse condições de impor a lei naquela região, se conseguisse fiscalizar e punir quem promove o desmatamento.
Mas o poder público brasileiro não consegue sequer fiscalizar e impor a lei dentro dos presídios de segurança máxima... Lugares onde, se existe algum, a fiscalização deveria ser total e o império da lei assegurado à risca.
Quando ocorre algum genocídio não sei em que lugar do mundo, é natural que se peça a intervenção da ONU. O que não significa dar carta-branca para uma potência tomar conta das riquezas de um país.
O que ocorre na Amazônia tem tudo para ser tão preocupante quanto um genocídio. A humanidade inteira é vitimada enquanto nós, brasileiros, agimos como aqueles manifestantes sérvios que orgulhosamente desafiavam as tropas internacionais, em completo desprezo pelas minorias étnicas que eram dizimadas por ali.
Achamos correto quando crimes contra a humanidade são submetidos a tribunais internacionais.
Pouca gente se dispôs a defender Pinochet quando um juiz espanhol considerou que as fronteiras chilenas não o protegiam do que fez contra o gênero humano.
Talvez não seja adequado levar os responsáveis pela devastação a um tribunal suíço. O caso em prol da Amazônia pode ser enunciado de forma diferente.
Trata-se de devolver às populações locais uma terra que pode ser explorada racionalmente se contar com ajuda, fiscalização e verbas do mundo inteiro.
Se governos estrangeiros e entidades internacionais, em concordância com o Brasil, puderem intervir no sentido de fazer da floresta uma região de preservação ecológica mundial, creio que a Amazônia seria mais "nossa" (isto é, de quem vive lá e não a derruba) do que é atualmente.
Outras "soluções", para dizer francamente, não me parecem soluções. Quem imagina que o Ibama, o Exército, a Polícia Federal dispõem de recursos suficientes para tomar conta de tudo aquilo? E que direito temos nós de mascarar nossa ineficiência, nosso desleixo, com um nacionalismo que não engana ninguém?
O fato é que a Amazônia não é uma prioridade real para os brasileiros, que têm problemas terríveis a resolver bem mais perto -debaixo de cada ponte e viaduto urbano, para dizer o óbvio. Mas é uma prioridade mundial.
Parece-me infantil dizer que os americanos vão chegar aqui e tirar "nossas" riquezas. Quem está acabando com elas, e enriquecendo à custa de todo o planeta, é a madeireira (nacional ou não, isso pouco importa), o pecuarista, o plantador de soja.
O governo brasileiro bem que gostaria, imagino, de limitar esse enriquecimento. Mas não é objetivamente capaz disso.
Concordo que "internacionalização" é uma palavra forte demais. Sugere a entrega de nossa soberania, sem nada em troca. Outras fórmulas, mais suaves, podem ser concebidas pelos especialistas no assunto. Não sou especialista no assunto. Pessoalmente, não temo usar a palavra. Nossa soberania, afinal, não existe. Existiria se pudéssemos impor nossa vontade sobre a região. Ano após ano, é precisamente isso o que verificamos não acontecer.
Por Marcelo Coelho

Acessem o Portal Ecodebate-Meio Ambiente e Cidadania: www.ecodebate.com.br

sábado, 8 de maio de 2010

Revolução da Colher

REVOLUÇÃO...
Com a espada,
 Com a escrita,
Com a palavra,
Com a COLHER!!!
A revolução é entre você e seu prato.
O que você come traz conseqüências políticas, ambientais, econômicas e sociais que a maioria de nós desconhecemos. A Colher é nossa melhor arma. 
Comer carne é um hábito cultural e adquirido e não algo "natural" ou inerente ao ser humano; originalmente éramos nômades e coletores e depois agricultores e caçadores, mas mesmo a caça era algo muito diferente do que temos hoje com a produção em massa de animais para consumo.
A produção de carne polui mais da metade da água potável usada no mundo, um dos maiores fatores do desmatamento, poluição do solo, polui o ar mais do que os transportes somados. A produção de carne é um dos fatores que mais contribui para a degradação ambiental.
Saber por que tirar a carne de seu prato pode ser mais efetivo que fazer uma marcha política ou caridade.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

No Coração do Progresso

Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à invenção do aeroplano ou á descoberta do DNA. Mas quero chegar logo ao ponto, e convidar o leitor a refletir sobre o sentido dessa palavra, que sempre pareceu abrir todas as portas para uma vida melhor.

Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema, via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendimento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o progresso. Uma represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco: desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preservação ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino planeta.

Para isso foi preciso determinar muito bem o sentido de progresso. Do ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo que concorre para equilibar a ação transformadora do homem sobre a natureza e a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas sustentável: o adjeivo expime uma condição, para cercear as iniciativas predatórias. Cada novidade tecnólogica há de ser investigada quanto a seus efeitos sobre o homem e o meio em que vive. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento que considere a qualidade e a extensão dos efeitos.

Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com o mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não é pouco, mas ainda não é o suficiente. Aos cientistas, aos administradores, aos empresários, aos industriais e a todos nós - cidadãos comuns - cabe a tarefa cotidiana de zalarmos por nossas ações que infletem sobre qualquer aspecto da qualidade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e banheiro, em nosso quintal e jardim - e se estende à preocupação com a rua, com o bairro, com a cidade, com o planeta.

"Meu coração não é do tamanho do mundo", dizia o poeta. Mas um mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é, certamente, melhor do que este em que estamos vivendo.
Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido - talvez oculto - da palavra mágica empregada.

Por Alaor Adauto de Mello 

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval: a festa do vale-tudo!


O carnaval é definido como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, pecado, obrigações... e deveres. Trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo. É, no fundo, a oportunidade de fazer tudo ao contrário: viver com excesso de prazer, de riqueza, de alegria, de riso; de prazer sensual que fica – finalmente – ao alcance de todos.
Este sentido de “pode tudo”, que segue mais ou menos a lógica do “jeitinho” no dia-a-dia ganha força neste período carnavalesco. Como se fosse uma catarse coletiva há uma euforia no ar – mesmo de quem está distante da chamada folia. Não se trata de uma festa... É a FESTA.

Sai o uniforme, entra a fantasia; Saem 08 horas de trabalho, entram 08 horas atrás do trio elétrico, do frevo, das escolas de samba. Tudo pelo prazer, tudo pela sensação de liberdade que a maior festa popular do mundo oferece. Neste mundo de prazer e alegria, todos os outros assuntos ficam em segundo plano. Sob a justificativa do bordão “É carnaval!”, fatos importantes ou relevantes são deixados de lado. Ou mesmo o que acontece ao lado do folião é desprezado, esquecido.

O carnaval de Salvador recebe o título de “maior festa com participação popular do mundo”. Estima-se 2 milhões de foliões atrás dos trios elétricos de seus artistas preferidos ou não. O antigo folião pipoca, aquele que não saía em blocos com abadas ou não comprava seu acesso a camarotes, está em vias de extinção. Ainda há a participação popular nos blocos menores, mas estes não saem durante o Jornal Nacional. Outro aspecto que merece atenção é a violência policial utilizada, claro, nos “ppp’s”: Pretos, pobres, periféricos. Assistindo a cobertura do Carnaval pela TV tudo é muito bonito e democrático. E é só festa e alegria.

Exploração sexual de crianças e adolescentes que aumenta durante este período, hospitais lotados com pacientes que extrapolam na festa e arrumam confusões, acidentes de trânsito por alcoolismo que a cada ano batem recordes, tanto nas cidades como nas estradas... Todos estes assuntos são relegados a segundo, terceiro plano. O negócio é a folia, a festa, o vale-tudo, a todo e qualquer custo... Mesmo que o custo seja um abadá comprado por 3 mil reais ou o aluguel de uma quitinete por 4 mil reais por 4 dias.

Não pretendo tornar este texto negativista ou conservador. Não é a intenção. Carnaval é mesmo uma grande festa e há diversão para todo gosto e bolso. Mas viver 1 semana distante do “mundo chato e uniforme” também não é boa idéia: Mais um bebê é encontrado no lixo em São Paulo. Mesmo com toda as festividades ocorrendo no país, não dá pra desprezar isso.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Partos Conscientes: O Mundo Precisa Disso

O que era íntimo, feminino, doméstico, hoje em dia se transformou num ato médico, hospitalar, frio... É preciso que mais e mais mulheres se preparem para ganhar suas crias através de partos conscientes, rompendo com mandatos internos ligados ao que aprenderam na família e na nossa cultura moderna. Não apenas pelos cuidados com o bebê, que merece vir ao mundo com todo o respeito e amor, mas também pela mulher que é totalmente transformada pela vivência de se tornar mãe.

Humanização do Parto. Por Quê?
Nascimento… Palavra que suscita memórias, momentos fortes, início da vida... Todos fomos bebês um dia, passamos do ventre ao mundo externo. Alguns nasceram facilmente, outros com muita dificuldade. Cada nascimento é uma história única, singular, nenhum nascimento é igual ao outro, assim como nenhum ser humano.

Ao longo da história da humanidade, as formas de parir vieram mudando, recebendo interferências de toda a tecnologia criada pelo homem civilizado. Em tempos remotos, qualquer problema durante um nascimento poderia significar a morte da mãe e/ou do bebê, muitas vezes apenas um poderia sobreviver a determinadas complicações. A tecnologia veio para minimizar a quantidade de mortes, a medicina entrou no mundo dos nascimentos para poder garantir a segurança de mães e bebês.

No entanto, após séculos de desenvolvimento tecnológico do meio médico, o excesso de tecnologia, em nome da segurança, acabou por afetar muito a qualidade dos nascimentos. A naturalidade perdeu-se e os partos deixaram de ser eventos fisiológicos e passaram a ser eventos médicos, a parturiente deixou de ser ativa e se tornou paciente. O parto "normal" se tornou raro e o normal se tornou o parto por cirurgia cesariana.
Todas essas modificações tiveram enorme peso sobre a forma de ser mãe. A gestação e o momento do nascimento do bebê são, para a mulher, um processo de muitas mudanças. Todas as alterações fisiológicas e psíquicas que advêm da gestação e do parto traduzem o trabalho da natureza de preparação da mãe que está por vir. Fisiologicamente, o corpo da mulher grávida recebe uma grande dosagem de hormônios que preparam o corpo para o desenvolvimento e nascimento do bebê. O corpo da mulher se torna mais flexível.

No entanto, existe uma conexão entre o corpo humano e o psiquismo, a mente, as emoções. Tudo o que acontece com o corpo está intimamente ligado a estes âmbitos. Logo, todas as alterações fisiológicas que ocorrem na gravidez falam também de alterações psíquicas, emocionais. A flexibilidade do corpo também está presente psiquicamente, o inconsciente fica mais acessível à consciência, a percepção fica mais refinada, a sensibilidade se aguça.
A gestação de um filho traz para a mulher um estado psíquico mais regredido, é como se ela pudesse se conectar novamente com seu lado infantil. Simbolicamente, a criança gerada dentro dela a conecta com a criança que ela também foi e que, em algum nível, ainda está presente. Passar por este estado comumente traz lembranças, memórias infantis, e o próprio ambiente familiar pode servir de motor para "desenterrar" memórias da futura mãe: conversas sobre bebês, sobre educação, sobre a relação mãe-filha, pai-filha, irmãos. A gestante pode entrar em contato com diversas lembranças que talvez estivessem guardadas e esquecidas há muitos tempo. A natureza, em sua sabedoria, proporciona essa flexibilidade psíquica e maior sensibilidade para que a mulher possa ser uma mãe melhor. Ao olhar para o passado, lembrar de sua infância, de como foi sua experiência de ser filha, a mulher pode transformar sua vida, fazer novas escolhas, resignificar seus traumas, suas crenças e sua experiência de vida.

No entanto, com toda a correria de nossa sociedade, é muito comum as mulheres passarem o período de gestação de forma atribulada, pensando mais nas questões do bebê ou nas condições externas do que no seu próprio processo enquanto gestante. O parto é um momento de ápice nesse processo, o momento em que ela vai se deparar definitivamente com a maternidade. A preparação para o parto comumente é restrita a procedimentos técnicos, como o pré-natal médico, que trata mais das questões fisiológicas, e a escolha da maternidade. O número de mulheres que passam por uma preparação profunda para o momento de parir, englobando aspectos, físicos, emocionais, espirituais, ainda é muito reduzido.

O que é preparação para um parto consciente?
O ápice da produção hormonal acontece exatamente durante o trabalho de parto. O momento do nascimento tem um potencial muito transformador para a mulher, exatamente por ser o clímax do rito de passagem que é a gravidez, o instante em que efetivamente a mulher se torna mãe, o bebê deixa de ser interno, se separa da mãe. Neste momento, o corpo está inundado de hormônios em uma dosagem que em nenhum outro ciclo ocorre na vida de um ser humano, e pode-se dizer que durante o trabalho de parto, imersa nessas alterações químicas, a mulher está em um estado alterado de consciência.
Se você perguntar a qualquer mulher que tenha parido um filho, ela dirá sobre este estado e muitas vezes ele fica claro para quem está acompanhando o processo. Este estado faz parte dessa sabedoria da natureza, é o momento do nascimento do bebê e da mãe. Quanto mais a mulher estiver consciente e presente em si no momento do parto, maior a possibilidade de este ser um evento profundamente transformador para ela. Muitas mulheres relatam que o parto foi uma virada em suas vidas, um momento em que puderam se conectar pela primeira vez com sua força, com sua feminilidade.

Por isso a preparação é tão importante. Não apenas pelos cuidados com o bebê, que merece vir ao mundo com todo o respeito e amor, mas também pela mulher, que assume um novo papel, que nasce como mãe. Mesmo que ela já tenha tido um filho antes, a cada gestação novas transformações acontecem, é um ser diferente dentro dela, e ela também terá que renascer como uma nova mãe. A preparação para um parto consciente é a preparação para ir fundo neste processo de parir, para estar ali com totalidade, presente em todos os sentidos e escolhas, ampliando a percepção, sentindo com o corpo inteiro.

Um dos principais entraves à vivência plena do momento do parto é a desconexão com o corpo. A grande maioria das pessoas tem uma relação distante com o próprio corpo. A musculatura em geral está muito tensa, contraída, como reação defensiva crônica ao estresse em que vivemos. Essas tensões crônicas modificam completamente nossa percepção e sensibilidade corporal. Quando sentimos dor, a primeira reação é contrair o corpo para que a dor desapareça mais rápido. No entanto, no momento em que contraímos, a dor se intensifica. É um paradoxo, mas assim fazemos inconscientemente em diversas situações de nossas vidas, não apenas em relação à dor física. Se estamos com raiva, nos contraímos para suportá-la, se estamos tristes, nos contraímos para não chorar, e assim seguimos.

No momento do parto, todas as crenças que nossa sociedade alimenta relacionadas à dor podem surgir, todos os medos da mulher podem vir à tona. A primeira reação será a de contrair-se. No entanto, o corpo trabalhou durante toda a gestação para abrir-se e flexibilizar-se exatamente porque isso é necessário para que o bebê nasça. Todo esse trabalho da natureza vai por água abaixo quando a mulher se deixa levar por medos e crenças negativas. Sem a consciência de como tudo isso afeta o seu corpo, fechando-o, tensionando-o, a mulher possivelmente enfrentará um trabalho de parto difícil, doloroso, talvez até problemático. Quanto mais ela estiver consciente e conectada com seu corpo, percebendo se há tensões, utilizando-o de forma a permitir que ele faça o trabalho dele, melhor será para ela e o bebê.

Repetimos fórmulas sem termos consciência do que estamos fazendo - A ampliação do nível de consciência geralmente acontece com um treinamento, e o fato da mulher estar mais sensível na gestação favorece a que ela consiga perceber as coisas mais rapidamente e facilmente do que talvez acontecesse se não estivesse grávida. Por isso, preparar-se para o parto ao longo da gestação poderá fazer toda a diferença. Se a mulher puder se conectar mais com seu corpo de forma consciente, se puder tomar consciência dos medos que estão presentes em sua subjetividade, como eles aparecem em seu corpo, se puder ir limpando todas as questões que possam ter sido traumáticas para ela, tudo isso poderá ser de grande valia para que a gestação e parto possam ser mais conscientes e plenamente vivenciadas pela mulher.

Muitas questões relacionadas à figura da mãe podem surgir durante a gravidez, a forma como fomos criados por nossas mães terá grande influência na forma como seremos mães. Há uma forte tendência em repetirmos muito do que vivenciamos com nossas mães, e geralmente isso acontece sem que tenhamos consciência. Outras vezes, pode ser que aconteça de fazermos tudo ao inverso do que nossas mães faziam. Não há nada de errado em fazer algo igual ou diferente do que nossos pais faziam, o problema está no fato de que muitas vezes repetimos as fórmulas sem termos consciência clara do que estamos fazendo, de que essas são realmente as escolhas que queremos fazer. Cada criança é um indivíduo diferente, único, e o perigo da repetição inconsciente é que o que fazemos pode não ser o melhor para aquele bebê, aquela criança, pois é um contexto novo.
Além disso, quantas vezes agimos sem consciência exata do que estamos escolhendo fazer e depois vemos que poderíamos ter escolhido diferente e melhor? Se durante a gestação a mulher puder se preparar e olhar mais a fundo suas motivações inconscientes, as marcas que ficaram de suas próprias vivências com seus pais, isso poderá ajudá-la a tomar suas decisões com mais consciência das conseqüências, com mais maturidade e autonomia. E, quando falamos de parto, o que comumente acontece é que muitas impressões a respeito do momento de parir são transmitidas de mãe para filha, geração a geração. Poder olhar para isso, para os mitos que herdamos da família ou da sociedade, com certeza também irá auxiliar a fazer melhores escolhas com relação ao parto e a ficar menos suscetível e vulnerável às influências externas.

E mais: é preciso ter a consciência de que tudo isso se reflete no corpo da futura mãe, portanto, mexer nessas questões psíquicas implica também em mexer com o corpo dela, trazer a consciência corporal. Por isso, atividades como yoga, massagem e respiração ao longo da gestação ajudam muito a melhorar a qualidade dos partos, especialmente se vierem associadas a um trabalho de ampliação da consciência e à elaboração de questões psíquicas e emocionais. Tudo o que favoreça à ampliação da percepção, da sensibilidade, a conexão com o corpo, com os sentimentos, a auto-observação, pode ajudar para que a experiência de parir e de ser mãe possa se tornar cada vez mais consciente e responsável. Quanto mais as mulheres puderem vivenciar com plenitude esses momentos tão especiais de suas vidas, maior a possibilidade de que as futuras gerações tenham esta vivência também modificada, pela transmissão de novas experiências.

Por Josie Zecchinelli: Psicoterapeuta Corporal e Educadora Perinatal


Acessem: http://www.partoconsciente.com.br/
               http://www.partoenagua.com.br/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O que será de ti Haiti?

"No Haiti a terra sacudiu-se contra um povo digno. Chamamos todos os governos e organizações a reagir com a mesma força do terrível terremoto. É isso o que merece o povo haitiano. É preciso tecer uma autêntica solidariedade internacional em defesa deste povo, que marcou a história do nosso continente com a coragem da luta por justiça social. Um povo que, se hoje é o mais pobre da América Latina, é porque foi subjugado, levado à miséria pela espoliação sistemática de potências imperialistas. Como nunca, a solidariedade mundial com os haitianos é necessária: urge criar condições para uma reparação histórica das violências cometidas contra o país.

Desde 2004, o Brasil possui um contingente militar no país, e lidera uma operação da ONU. Depois de 5 anos de suposta “ajuda humanitária” da Missão das Nações Unidas para Estabilização Política do Haiti (Minustah), a situação do país permanece desumanamente inalterada. As tropas azuis da ONU reprimiram duramente protestos populares, violentaram as rebeliões civis, e não produziram ações sociais e políticas capazes de redistribuir a renda e criar condições de educação e saúde no país. A prometida “estabilidade política”, ao que parece, teve uma única e exclusiva função: garantir a presença das multinacionais no país e criar novos fluxos de capital. Além de servir como cruel laboratório do exército brasileiro: um campo vivo de treinamento militar permanente disfarçado de “ação pacificadora”.

Nesse momento, com a tragédia sem precedentes do terremoto do dia 12, urge transformar todo contingente militar da ONU em efetiva ajuda humanitária ao país. Não são necessárias armas! Violentar o povo que saqueia supermercados não é a melhor maneira de ajudar. Também não ajuda em nada “proteger os estabelecimentos comerciais” contra uma população desprotegida, faminta e pobre. É urgente enviar alimentos, água potável, roupas, remédios, e outros produtos de necessidade básica inclusive por pára-quedas. A dificuldade de se chegar ao local é um dos principais obstáculos. A situação de caos e desamparo é extrema. O povo de Porto Príncipe dorme nas ruas, com medo de novos tremores. Muitas pessoas ainda estão sob escombros e há uma quantidade indefinida de feridos."

Nunca tive notícia de uma tragédia maior. Já estão falando em mais de 100 mil mortos depois do terremoto que abalou o Haiti. O que mais me dói é saber que em um país já tão castigado pela miséria e pelas desigualdades a situação está ainda pior e que milhares de seres humanos perderam seus parentes e seus poucos pertences, sem ao menos serem amparados, sem ao menos serem consolados.

Dentre as vítimas do terremoto, estava a médica brasileira Zilda Arns, uma das criadoras da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa. Lembro que fiquei maravilhada com um documentário que vi sobre o trabalho de Zilda no combate à fome e à desnutrição infantil. Nenhuma frase para este momento retrata melhor o meu sentimento do que a postada pelo professor Yúdice Randol em seu blog: "Não admira que sua morte espelhe a grandeza de sua vida". Zilda estava em uma missão humanitária no Haiti. Esta tragédia é o exemplo de Zilda me fazem pensar cada dia mais o quanto mantemos distância dos nossos próximos e dos problemas que estão a nossa volta. Acho que precisamos de mais amor e coragem. Que fique o exemplo de Zilda e que, este momento, com toda a sua dor, seja mais uma inspiração do que uma catarse.