domingo, 29 de março de 2009

Alfabeto Altruísta

Hitler tornou-se líder da sociedade que mais havia ganhado prêmios Nobel até a década de 30. Uma sociedade que havia produzido Kant, Hegel, Schopenhauer e tantos outros brilhantes pensadores. Outros “Hitleres” aparecerão? Infelizmente, sim. Se surgiu um tirano seduzindo a sociedade inteligentíssima não há nenhum impedimento para seduzir outras sociedades menos aptas intelectualmente. Somos tímidos espectadores onde deveríamos ser ágeis atores, então, dá-se a permissão que outros psicopatas proponham idéias inumanas para resolver conflitos humanos.Os gemidos de milhares de crianças judias e de outras minorias mortas nos campos de concentração ainda ecoam pela nossa história, acusando nossa loucura. Não basta ler a história e se admirar com as atrocidades cometidas, é preciso ter a pedagogia da indignação, ter ouvidos altruístas para ouvir clamores inaudíveis.Somente a educação altruísta resgata valores éticos e é capaz de batalhar contra a prevalência do instinto humano no tecido social. O egoísmo, o individualismo, o egocentrismo, se desenvolvem espontaneamente sem nenhum esforço educacional. Não espere que as crianças e adolescentes sejam espontaneamente solidárias, tolerantes e socialmente afetivas; dependem de aprenderem o alfabeto da sensibilidade, do prazer em se doar, da paixão pela humanidade, perceber que cada ser humano é um mundo fascinante que tem lágrimas e alegrias, ousadias e recuos, lucidez e estupidez...O altruísmo vacina contra toda forma de discriminação e contra estrelismo, individualismo e egocentrismo. Torna-se um ser humano sem fronteira com plena consciência de que somos um ser humano acima de sermos americanos, chineses, árabes, judeus, intelectuais, iletrados, que não vive ilhado gravitando apenas na órbita de suas necessidades...sem isso é impossível desenvolver relações sociais saudáveis.Os que não são altruístas são “tratores sociais” que passam por cima de sentimentos alheios, não respeitam suas crises. O alfabeto altruísta aprende a valorizar o ser, mas sem desprezar o ter; apostar no ser humano e acreditar na vida, mesmo que as pessoas e as circunstâncias que nos cercam nos estimulem a ser pessimista. Desculpe-me dizer, psicopatas e pessoas depressivas se desenvolvem diante de nossos olhos. E fazemos muito pouco para ajudá-los!