As mesas de bares ou conversas com amigos e colegas são momento ideal pra relaxar. No entanto o tira-gosto pode ser um tanto indigesto e a cerveja um pouco mais amarga quando comentários pobrefóbicos são proferidos na mesa. Não é raro ao contar vantagem de viagens ou experiências, que algumas pessoas comentem: "lá era muito legal, o lugar era lindo, limpo e não tinha gente feia". Nada contra as diferentes acepções de bom-gosto e apreciação da beleza. O problema é que geralmente a "gente feia" se refere a pessoas que não podem ou não querem se adequar aos padrões de beleza estabelecidos pelo mercado, que utilizam vestuário mais simples e possuem traços negros ou indígenas. E assim nas praias não querem se misturar os das "áreas badaladas" com os "farofeiros"e os das festas de elite com aquelas que "só da caboco ".Esse tipo de comentário aparentemente inofensivo revela um traço importante da cultura de apartação social que comportamos historicamente. Muitos de nós nunca viram pessoas tão humanas quanto qualquer um como semelhantes, simplesmente por causa de seus trajes, traços étnicos e escolaridade.Um exemplo emblemático desse traço é a indignação seletiva com o poder punitivo do Estado. Os mesmos que defendem a pena de morte, execuções sumárias, torturas físicas e a abordagem de civis inocentes como um mal necessário ( se isso acontecer com pobres, negros e nas favelas) são aqueles que ficam indignados com o uso de algemas nas operações da polícia federal, com o combate à sonegação fiscal e até mesmo com as multas de trânsito.Como na minha casa sempre se comeu manga com farinha, para mim bonito mesmo é a diferença, a pluralidade a luta pela igualdade de direitos. É muito bom poder viajar, freqüentar os lugares da nossa preferência, com quem e quando bem entendermos. Mas que isso não sirva para tornar real ou desejável a invisibilidade de nossos compatriotas e suas identidades, dificuldades e diferenças.Não sei até que ponto a tão felicitada tolerância com esse tipo de comentário é positiva. Já recebi diversos conselhos para relevar, entender e não perder amizades por causa de "radicalismos" (seja lá o que isso signifique nesse contexto). No entanto, sem prejuízo da pluralidade política necessária e desejável, certos valores fazem com que o racismo e a pobrefobia me sejam intoleráveis. Se isso me causa algum prejuízo, "tô nem ai". Ou, como dizem outros amigos, "Já deu".
domingo, 29 de março de 2009
"Buniteza" e Pobrefobia
As mesas de bares ou conversas com amigos e colegas são momento ideal pra relaxar. No entanto o tira-gosto pode ser um tanto indigesto e a cerveja um pouco mais amarga quando comentários pobrefóbicos são proferidos na mesa. Não é raro ao contar vantagem de viagens ou experiências, que algumas pessoas comentem: "lá era muito legal, o lugar era lindo, limpo e não tinha gente feia". Nada contra as diferentes acepções de bom-gosto e apreciação da beleza. O problema é que geralmente a "gente feia" se refere a pessoas que não podem ou não querem se adequar aos padrões de beleza estabelecidos pelo mercado, que utilizam vestuário mais simples e possuem traços negros ou indígenas. E assim nas praias não querem se misturar os das "áreas badaladas" com os "farofeiros"e os das festas de elite com aquelas que "só da caboco ".Esse tipo de comentário aparentemente inofensivo revela um traço importante da cultura de apartação social que comportamos historicamente. Muitos de nós nunca viram pessoas tão humanas quanto qualquer um como semelhantes, simplesmente por causa de seus trajes, traços étnicos e escolaridade.Um exemplo emblemático desse traço é a indignação seletiva com o poder punitivo do Estado. Os mesmos que defendem a pena de morte, execuções sumárias, torturas físicas e a abordagem de civis inocentes como um mal necessário ( se isso acontecer com pobres, negros e nas favelas) são aqueles que ficam indignados com o uso de algemas nas operações da polícia federal, com o combate à sonegação fiscal e até mesmo com as multas de trânsito.Como na minha casa sempre se comeu manga com farinha, para mim bonito mesmo é a diferença, a pluralidade a luta pela igualdade de direitos. É muito bom poder viajar, freqüentar os lugares da nossa preferência, com quem e quando bem entendermos. Mas que isso não sirva para tornar real ou desejável a invisibilidade de nossos compatriotas e suas identidades, dificuldades e diferenças.Não sei até que ponto a tão felicitada tolerância com esse tipo de comentário é positiva. Já recebi diversos conselhos para relevar, entender e não perder amizades por causa de "radicalismos" (seja lá o que isso signifique nesse contexto). No entanto, sem prejuízo da pluralidade política necessária e desejável, certos valores fazem com que o racismo e a pobrefobia me sejam intoleráveis. Se isso me causa algum prejuízo, "tô nem ai". Ou, como dizem outros amigos, "Já deu".
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